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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Idade do pai pode aumentar risco de transtorno bipolar.

A idade mais avançada de um pai pode estar associada a um maior risco de transtorno bipolar em seus filhos, diz um estudo publicado na edição de setembro da revista científica Archives of General Psychiatry.
O transtorno bipolar, conhecido no passado como psicose maníaco depressiva, é uma condição mental comum em que o paciente apresenta mudanças extremas de humor, com episódios de intensa alegria, euforia e criatividade e também de humor muito baixo e depressão.
Até o presente, excluindo-se um histórico de transtornos psicóticos na família do paciente, poucos fatores de risco haviam sido associados a esta condição. Estudos anteriores, no entanto, associaram a idade mais avançada por parte do pai a riscos mais altos de doenças como a esquizofrenia e o autismo.

Serviço de saúde

A pesquisadora Emma M. Frans, do Karolinska Institutet, em Estocolmo, na Suécia, e seus colegas identificaram 13.428 pacientes com transtorno bipolar registrados no serviço de saúde sueco.

Para cada um, os pesquisadores selecionaram aleatoriamente cinco outros indivíduos registrados no sistema de saúde que eram do mesmo sexo e nascidos no mesmo ano, mas que não apresentavam a condição.

Quando compararam os dois grupos, os especialistas verificaram que quanto mais velho o pai de um indivíduo, maior a probabilidade de ele ou ela apresentar o transtorno bipolar.

Depois de fazer ajustes levando em conta a idade da mãe, pacientes com pais com mais de 29 anos apresentaram maior risco.

"Depois de fazermos controle para número de crianças, idade da mãe, situação socioeconômica e histórico familiar de doenças psicóticas, os filhos de homens com 55 anos ou mais tinham 37% mais probabilidade de ser diagnosticados com transtorno bipolar do que os filhos de pais com idades entre 20 e 24 anos", diz o estudo.

Mutações

Os filhos de mães mais velhas também apresentaram risco maior, embora menos pronunciado do que o verificado em filhos de pais mais idosos.

Para casos de transtorno bipolar diagnosticados antes dos 20 anos de idade, a idade do pai teve efeito muito maior e os pesquisadores não encontraram qualquer relação entre a condição e a idade da mãe.

"À medida que os homens envelhecem, seus espermatozóides são duplicados sucessivamente e novas mutações se acumulam como resultado de erros na cópia do DNA", diz o estudo.

"Mulheres nascem com seu suprimento completo de óvulos que passaram por apenas 23 duplicações, um número que não muda conforme elas envelhecem", acrescenta o texto.

"Portanto, erros na cópia do DNA não devem aumentar em número com a idade da mãe", escrevem os autores.

"O transtorno bipolar é uma condição cruel que traz alto risco de suicídio", diz a diretora-executiva da entidade ligada à saúde mental SANE, Marjorie Wallace.
"Existe uma grande variedade de fatores que tornam as pessoas mais ou menos suscetíveis a doenças como esta, então muito trabalho ainda precisa ser feito para que tenhamos melhores tratamentos e mais esperanças no futuro".

Teste de Bipolaridade

Lembre-se, este é apenas um teste. É claro que o resultado pode te dar algum direcionamento, porém o diagnóstico só quem pode dar é o seu Psiquiatra.

Responda SIM ou NãO a cada pergunta e anote. Ao final confira o resultado.

1. Você é uma pessoa com altos e baixos de humor?
2. Tem temperamento forte?
3. É uma pessoa de extremos, do tipo tudo ou nada, sem meio-termo?
4. Precisa sempre estar fazendo alguma coisa ou buscando coisas novas?
5. Em alguns momentos pensa muito rápido ou não consegue desligar o pensamento?
6. Dirige rápido, de modo agressivo, buzina muito ou queima o sinal?
7. Tem dons artísticos, espirituosidade ou criatividade?
8. Já teve fases em que bastavam 6 horas de sono por dia?
9. Já teve momentos de apatia ou tristeza sem motivo aparente?
10. Tem mais sono do que o habitual quando fica com humor deprimido?
11. Já ficou muito alegre e radiante ou irritável sem motivos aparentes?
12. Já teve fases com muitos planos, falando mais rápido, alto e bastante?
13. Em alguns momentos arriscou demais?
14. Em comparação com outras pessoas, você se veste ou se comporta de modo mais chamativo?
15. Gasta mais dinheiro com prazeres, futilidades ou aparência?
16. Tem mais dificuldade em manter as coisas em ordem ou tende à dispersão?
17. Já teve impulsos exagerados em relação a comida, drogas, sexo ou compras?
18. Já teve momentos de maior confiança, em que se sentiu especial?
19. Muda de planos e objetivos com mais facilidade?
20. Tem mais instabilidade em atividades profissionais ou relacionamentos afetivos?
21. Se magoa ou se irrita com facilidade quando alguém lhe critica ou desagrada?

Resultado:

* Se você respondeu sim a até cinco perguntas: é pouco provável que você tenha bipolaridade.
* Se você respondeu sim a seis ou mais perguntas: se acha que algumas dessas características geram um grau no mínimo razoável de prejuízos ou problemas (mal estar, impulsos, gastos, arrependimentos, conflitos pessoais…), é provável que tenha bipolaridade. Para confirmar, é necessária uma avaliação psiquiátrica por profissional qualificado na área. Se você toma remédios antidepressivos, pode ser indicado substituir por um tratamento estabilizador de humor.


Teste elaborado pelo Dr. Diogo Lara

Aquário

Olho para o aquário e penso em meus pacientes bipolares. 
É uma estranha sensação a de estar entre quatro paredes mesmo que de vidro.
De nadar para um lado e para outro. 
Enfrentar falsos obstáculos. 
Ficar feliz sendo prisioneiro. 
Demonstrar uma felicidade que não tem. 

Os peixinhos no aquário. 
Dizem que olhar para eles acalma a mente.
E eu pergunto se alguém pensa nos peixes. 

Os bipolares tem  sentimentos confusos e desproporcionais. Tudo neles assume uma intensidade. Tudo se transforma em algo maior.
Muita alegria ou muita tristeza. 
Muito riso e muita lágrima.
Céu e inferno. Terra e água. 
Descontrole como se dentro de cada um houvesse manipulação selvagem.
E no entanto são extremamente frágeis.
E volto ao aquário. 
Aos peixes coloridos. 
Ao vai e volta. 
Estão dentro da caixinha de vidro das emoções.


Vera Mattos

DEPENDENDO DO OLHAR, TUDO É AMOR.

Flávio Bastos*



Estamos, por uma questão cultural - a do sofrimento - condicionados a sentir ou a perceber na experiência humana, mais dor do que amor. No entanto, o predomínio do sofrimento não seria uma decorrência do desconhecimento em relação ao significado profundo do amor?

Meu amigo é um bipolar de nível três, considerado pela psiquiatria como o grau mais alto da bipolaridade que é um transtorno de humor que oscila entre a fase depressiva e a fase eufórica. Ele ingere, diariamente, um coquetel de comprimidos para manter-se razoavelmente equilibrado e não surtar.




8

Na sua primeira crise, que exigiu internação e início de tratamento químico, ele tinha 41 anos. Passados 14 anos, a sua vida transformou-se significativamente. Não no sentido da perda como estamos, convencionalmente, acostumados a avaliar. Mas no sentido das aprendizagens adquiridas pela própria experiência, pois o diagnóstico de bipolaridade não é um atestado de sofrimento ou de incapacitação.



A sua vida mudou... é evidente! Aposentou-se prematuramente, "perdeu" muitos amigos que se afastaram e ainda teve que adaptar-se a uma nova fase em que foi forçado a administrá-la da melhor maneira possível.



No entanto, apesar do "infortúnio", das vicissitudes e do inevitável envolvimento familiar de esposa e filhos em seu drama pessoal, avalia que hoje a sua família encontra-se mais unida do que antes, porque souberam crescer com a própria experiência e aprenderam que, com o exercício do amor incondicional, podem superar obstáculos antes considerados intransponíveis.



Infortúnio, desgraça, azar... destino? Não, absolutamente, porque a vida é uma consequência de outras vidas associada às experiências atuais de peso, como os efeitos da educação transmitida na infância pelos responsáveis diretos e a liberdade de escolha proporcionada pelo livre arbítrio.



Conformismo com o sofrimento, acomodação? Não, e sim... resignação é o que tenho observado, pois o conceito de sofrimento é muito relativo se considerarmos a afirmação anterior de que a vida não é uma sequência de acontecimentos imprevisíveis e, portanto, alienados pelo fato de não sermos sujeitos da nossa própria história.



Meu amigo possui o seu sistema próprio de valores e de crenças. De nada adiantaria "forçar" uma regressão para tentar encontrar a sintonia de seu problema atual, até porque ele encontra-se em franco crescimento espiritual com a experiência bipolar. E esta sintonia na energia do amor é infinitamente superior a qualquer intervenção no sentido terapêutico.



Sou o seu terapeuta informal em que ele transfere (transferência positiva...) a confiança que não encontrou no pai ausente ou em outra figura masculina referencial de sua infância. Contudo, procuro separar as funções, ou seja, até onde vai a sólida amizade de três décadas e até onde vai a função de terapeuta informal.



O transtorno de humor bipolar, segundo o livro "Porque adoecemos - Princípio para a Medicina da Alma", é uma desarmonia comprometedora do corpo mental inferior e que depende da gravidade do desrespeito aos soberanos códigos das leis divinas. O corpo mental inferior, conforme esse livro, "se expressaria através do pensamento concreto, onde a imaginação é muito pouco solicitada. O valor das coisas dá-se pelo seu conteúdo puramente material. Uma flor é uma flor e nada mais".



E continua: "A mente é o espírito trabalhando no corpo mental inferior. É dito assim, porque o homem comum, que compõe a grande maioria da humanidade, usa muito pouco os atributos do corpo mental superior. O seu interesse, quase sempre, não vai além de sua própria pessoa, estando, especialmente, ligado aos desejos do sexo e da alimentação. Alimentar-se, para ficar forte e não adoecer; ganhar dinheiro, para possuir as coisas que lhe dão prazer; e ser bonito, para conquistar. Tudo ligado ao imediatismo da existência. Pensamento pobre e muito concreto. As abstrações da existência não são ainda percebidas. É o caso do plantador de tomates e do de flores. O primeiro planta para manter a existência, o que lhe é necessário. Mas o segundo é quem embeleza a vida, busca o essencial".



E conclui: "O corpo mental inferior tem várias propriedades extremamente importantes para o desenvolvimento do potencial divino do espírito. Há a necessidade do aprendizado vindo de fora, através dos sentidos. Esses conhecimentos formam a ante-sala do real conhecimento para expressar-se. Há que se formar um campo, um repertório, um ambiente, no qual a essência divina possa fazer-se presente, apossando-se do patrimônio herdado do Divino construtor".



A patologia mental sob o ponto de vista espiritual pode ser chamada de prova ou testagem. Podemos procurar ajuda através de recursos disponíveis como o tratamento químico, a psicoterapia e a regressão, ou mesmo a opção religiosa. No entanto, acima de quaisquer conceito ou auxílio que venha a somar em benefício do paciente, a experiência sempre será única e exclusivamente pessoal. É através dela que chegaremos a um nível de crescimento através do amor vivenciado pelas lições conscientemente assimiladas, ou permaneceremos, indefinidamente, na situação de vítima e na sintonia do sofrimento que não leva a nenhum tipo de crescimento, seja de nível pessoal ou espiritual.



No final de uma experiência traumatizante sob o ponto de vista psicológico, dependendo do "olhar", poderemos encará-la como sofrida e nos conformarmos. Mas poderemos também, resignados, avaliá-la como resultante de um processo de aprendizagens necessárias baseado na oportunidade oferecida pelo amor incondicional que está na essência da criação divina.

Tudo é uma questão de olharmos (ou não...) para dentro de nós mesmos!

* Terapeuta Psicanalista Reencarnacionista.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Transtorno bipolar

Como categorizado pelo DSM-IV e o pelo CID-10, o transtorno bipolar ou distúrbio bipolar é uma forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase de maníaca ou hipomania, hiperatividade e grande imaginação, e uma fase de depressão de inibição, lentidão para conceber idéias e realizar, e ansiedade ou tristeza. Juntos estes sintomas são comumente conhecidos como depressão maníaca.


O distúrbio bipolar é uma patologia que acomete cerca de 1,6% da população hoje em dia. No entanto, hoje é tratável. As alarmantes trocas bruscas de humor, todavia, podem ser controladas pelos medicamentos conhecidos. O tratamento com carbonato de lítio é o mais antigo e ainda em uso, e hoje há significativos progressos no estudo de novos tratamentos com poucas, mas significativas novas medicações introduzidas na medicina nos últimos tempos.

Equivocada é a idéia de que a bipolaridade seria estar hiper contente pela manhã, triste à noite e com um sentimento médio à tarde. Tal idéia não traduz a bipolaridade. Na verdade a bipolaridade pode vir a se manifestar nos dois pólos da doença: depressão e mania. Hoje há remédios de última geração que controlam com sucesso qualquer alteração de humor para esses dois pólos da doença. Geralmente são antidepressivos e o tratamento mais antigo, o carbonato de lítio. Os portadores da bipolaridade geralmente são pessoas que se destacam nas actividades que exercem, principalmente no que condiz à arte (Mozart, Van Gogh, Vivien Leigh, Schumman, Jaco Pastorius) e à política (W. Churchill, Ulisses Guimarães).

Com o uso de medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.

O tratamento exige acompanhamento profissional, o uso fiel e bem monitorado dos medicamentos adequados e o comprometimento do paciente em buscar para si uma vida melhor. O apoio e a compreensão da família ou de amigos chegados são de grande valia ao doente.


Sintomas da Depressão

O individuo deprimido em geral se sente abatido, quieto e triste. Pode dormir muito, como uma fuga do convívio, reclamar de cansaço em tarefas simples como escovar os dentes, apresentar traços de baixa auto-estima e de sentimentos de inferioridade. Demonstra pouco interesse pelos acontecimentos e coisas e pode se isolar da família e amigos.

O indivíduo pode se sentir, nesta fase, culpado por erros do passado, e fracassos em sua vida e de seus familiares. Pode haver irritabilidade, lamentos, e auto-recriminação.

Pode haver um distúrbio do apetite, tanto para aumentá-lo, como para diminuí-lo. O deprimido pode apresentar queda na sua imunidade, o que o deixa mais predisposto a contrair doenças. Em alguns casos a depressão pode se manifestar de forma psicossomática, e o indivíduo pode apresentar algumas doenças de causa psicológica, que normalmente se caracterizam por dores pelo corpo ou cabeça.

Há uma queda da libido e o indivíduo se afasta de seu companheiro, se o possuir.

É comum nesta fase pensamentos suicidas, uma vez que o indivíduo se sente mal em sua vida e sem energia para mudá-la. A conseqüência mais grave de uma depressão pode ser a concretização do suicídio.

Sintomas da Euforia (Mania)

Na fase eufórica o indivíduo pode apresentar sentimentos de grandiosidade, poderes além dos que possui e grande entusiasmo. O indivíduo passa a dormir pouco, tornar-se agitado.

Pode falar muito, ter muitas idéias ao mesmo tempo.

Há uma alteração na libido e o indivíduo tem um aumento do desejo sexual.

O indivíduo perde a inibição social, podendo passar por situações vexatórias por falta de senso crítico.

Nesta fase é comum os indivíduos se endividarem ou perderem muito dinheiro, comprometendo até bens de família. Durante os delírios de grandeza os gastos são muito acima do que sua realidade permitiria. Devido ao grande otimismo, é possível que o indivíduo empreste dinheiro a pessoas a quem mal conhece, e que podem estar aproveitando-se da situação.

São comuns manias como perseguição, realização de sonhos (reformas, viagens, compras) que a primeira vista podem até parecer normais.

No tipo de THB com surtos psicóticos, é comum nesta fase que o paciente tenha alucinações e delírios de grandeza.

Como identificar o humor

Após um diagnóstico positivo do THB (Transtorno de Humor Bipolar), entra a segunda parte, a mais difícil, com o paciente que pode estar incapacitado e seus familiares, saber se está ou não em surto, é uma dificuldade constante para o portador de THB. A preocupação por amplos setores da saúde e da sociedade em geral, em especial a saúde mental, é o de garantir o bem estar dos portadores do transtorno, e impedir a incapacitação dos "doentes".

Nem sempre os sintomas maníacos ou depressivos são bem claros. Até mesmo quem convive com um paciente bipolar sente dificuldade em distinguir uma aflição comum da depressão, ou sua alegria da euforia patológica. A doença é de difícil diagnóstico, mesmo para um profissionais da saúde, que acompanhem há um longo tempo o paciente.

Com a implantação dos hospitais-dia, reuniões com parentes e pacientes, a evolução está sendo suprida. O paciente deveria ser o maior sabedor das coisas que envolvem a doença para conseguir controlá-la.

A depressão maníaca, com seus dois principais subtipos, distúrbio bipolar e depressão maior, foram inicialmente descritos clinicamente em fins do século XIX pelo psiquiatra Emil Kraepelin, que publicou seu conhecimento da doença em seu Textbook of Psychiatry. Como se descreve a seguir, existem várias formas do distúrbio bipolar.

O transtorno bipolar do humor, também conhecido como distúrbio bipolar, é uma doença caracterizada por episódios repetidos, ou alternados, de mania e depressão. Uma pessoa com transtorno bipolar está sujeita a episódios de extrema alegria, euforia e humor excessivamente elevado (hipomania ou mania), e também a episódios de humor muito baixo e desespero (depressão). Entre os episódios, é comum que passe por períodos de normalidade.

Deve-se ter em conta que este distúrbio não consiste apenas de meros "altos e baixos". Altos e baixos são experimentados por praticamente qualquer pessoa, e não constituem um distúrbio. As mudanças de humor do distúrbio bipolar são mais extremas que aquelas experimentadas pelas demais pessoas. Veja ciclotimia para uma versão moderada deste distúrbio.

O doente de distúrbio bipolar é também comumente chamado de "maníaco-depressivo" por leigos (e por alguns psiquiatras do século vinte), entretanto, este uso não é popular atualmente entre os psiquiatras, que padronizaram o uso de Kraepelin do termo depressão maníaca para descrever o espectro bipolar como um todo, que inclui tanto o distúrbio bipolar como a depressão; eles agora utilizam distúrbio bipolar para descrever a forma bipolar da depressão maníaca.[3]

A natureza e duração dos episódios variam grandemente de uma pessoa para outra, tanto em intensidade quanto em duração. No caso grave, pode haver risco pessoal e material.

A doença pode se manifestar em crianças, porém talvez pela dificuldade em identificá-la, se manifesta em grande parte em adultos, por volta dos 15 a 25 anos.


O paciente de bipolaridade pode chegar ao extremo da depressão seguida de suicídio e, no outro extremo, a euforia de tentar escrever um livro num só dia, por exemplo.



Saber lidar com as situações extremas é quase decisivo e a maior dificuldade: o bipolar quase nunca percebe quando está hiperagitado. Quando percebe, recusa-se a aceitar o fato, e pior, tanto num caso quanto no outro, gosta de estar eufórico. Resiste firmemente a tomar medicamentos; abusa de drogas e álcool; gasta suas finanças de forma descontrolada; torna-se impulsivo, irascível, promíscuo e inconseqüente. O senso crítico e moral podem ficar seriamente comprometidos nesta fase da doença.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ajudando os mais vulneráveis na ala psiquiátrica.

Quando a polícia trouxe Jane para o 3East, as solas de seus pés tinham calos.


Jovem e bela sob uma camada de sujeira urbana, ela tinha sido trazida por vagar descalça nas ruas de Portland, Oregon, numa tarde bem quente de agosto.

Ela não dizia seu nome e não trazia identificação, mas concordou em ser levada pelo jovem oficial.

Quando chegou ao andar de cima, vinda da emergência, ela já tinha um par de chinelos azuis de papel, um comprometimento psiquiátrico involuntário (ela era considerada um perigo para si mesma) e um nome: Jane Doe.

Eu a cumprimentei a portas fechadas no 3East.

O elo da custódia tinha passado de um policial pensativo a uma enfermeira psiquiátrica.

Todo mundo tem uma história, mas as dos meus pacientes são muitas vezes ofuscadas por alucinações e ilusões.

No final acabamos traduzindo suas conversas codificadas e compreender suas histórias.

Jane foi minha primeira Sra.

Doe.

A história dela, assim como seu nome, ainda era um mistério.

Eu a acompanhei até a sala de entrevista e trouxe uma caneca de água morna medicada com sais Epsom.

Eu me apresentei e perguntei seu nome.

"Jane", ela disse.

"Esse é seu nome verdadeiro?" "É, eles me deram esse nome lá embaixo".

Fiquei quieta enquanto ela sorria, balançava a cabeça em sinal afirmativo e movia os lábios, aparentemente respondendo a vozes internas.

Ela não parecia angustiada.

Eu já estava acostumada com pacientes aterrorizados pelos comandos imprevisíveis e criticas cruéis de alucinações auditivas.

Jane me lembrava uma criança conversando com um amiguinho imaginário.

"Você sabe onde está?", eu interrompi.

"Numa ala psiquiátrica".

"Você tem família? Alguém que possa estar preocupado com você?" "Não".

"Alguém machucou você?" Ela sorriu.

"Não".

Sabia que tinha chegado a um beco sem saída.

Levantei todo o histórico médico que pude.

Ela era saudável, até vigorosa.

"Gostaria de ir para o meu quarto agora".

Ela se moveu levemente com seus pés machucados, como um sonâmbulo deslizando pelo surrado carpete do hospital.

Do nosso armário de roupas doadas, ela escolheu um par de chinelos cor de rosa.

O hospital colocou anúncios em jornais de Oregon e Washington, mostrando uma mulher na casa dos 20 anos com cabelos louros emaranhados.

"Você conhece esta mulher?", dizia o anúncio.

"Entre em contato".

Eu trabalhava dois turnos sucessivos de 16 horas toda semana.

Quando voltei para o hospital cinco dias depois de dar entrada em Jane, ela caminhava a passos largos pelo longo corredor até a sala comunitária, o centro das atividades daquela ala: sessões em grupo, refeições, visitas, pingue-pongue e, ocasionalmente, ataques violentos.

Nosso trabalho era estabilizar os pacientes na fase aguda de sua doença mental.

O psiquiatra de Jane tinha determinado um diagnóstico de transtorno esquizoafetivo, um distúrbio combinado de humor e pensamento.

Ela começou suas baixas doses de um estabilizador de humor e uma droga anti-psicótica para acalmar as vozes internas.

Quando me reapresentei, ela se lembrou de mim.

Seu cabelo estava limpo e arrumado, suas roupas surradas foram substituídas por jeans e camiseta doados.

Perguntei como tinha sido sua semana.

Tinha sido ruim, disse ela.

"Eles estão indo embora.

Meus amigos estão indo embora".

Ela não se referia aos amigos da ala psiquiátrica.

Ela queria dizer os amigos da sua própria cabeça.

"Jane, você tem a chance de viver algo novo", eu disse.

Minha esperança era que isso fosse realmente verdade.

"Tudo bem se eu não gostar?" "Tudo bem.

Você pode experimentar um pouco, antes de decidir".

Colaborei para tirar algo dela - suas vozes -, mas naquele momento de sua recuperação eu tinha pouca coisa para oferecer em troca.

Jane estava entre dois mundos.

Sem medicação e uma identidade, ela logo escorregaria de novo para o abandono.

A forma como nós ajudamos os mais vulneráveis envolve descobertas importantes por puro acaso e as ferramentas limitadas da nossa caixa de ferramentas: conversa e medicação, arte e ciência.

Há poucos momentos "Tcharam!" na psiquiatria.

Os diagnósticos são turvos.

O cérebro pode ser muito firme em guardar os segredos sobre suas doenças.

O tempo é importante.

Nossa intervenção chegou cedo à doença de Jane.

Ela respondeu bem ao tratamento; ela também se aproximava de receber alta, mas ainda não tinha lugar para ir.

Jane precisava ser cuidada, mas ninguém tinha telefonado para saber da jovem.

Como acontece tantas vezes, não tive tempo para entrar em contato com Jane depois que ela deixou o 3East, mas pensei muito nela - uma mulher jovem tão desconfortável em sua pele que negou seu nome, uma jovem mulher com o tempo acabando.

Quando a vi novamente, ela tinha um nome e uma família - uma avó com quem vivia no leste do Oregon e que chorou prematuramente a morte da neta até que um vizinho bateu em sua porta segurando um anúncio de jornal.

Ela tinha uma história.

Jane tinha sido excelente aluna no colegial, depois na faculdade.

A moça tinha planos.

Mas então as vozes começaram.

Ela largou a faculdade, foi demitida de uma série de trabalhos mal remunerados porque falava sozinha e deixava os clientes nervosos.

Os amigos foram embora.

Ela chegou até Portland, mas deixou seu nome para trás.

A porta do 3East é rotatória.

A reincidência faz parte da luta com a doença mental.

Vemos a maioria dos nossos pacientes mais de uma vez.

Mas não Jane.

Ela não telefonou nem apareceu na emergência.

Esperamos o melhor, mas nos preparamos para o pior.

Meses mais tarde, a avó de Jane deixou uma mensagem dizendo que ela estava bem, de volta à faculdade.

Sua história tinha alguns novos e bem-vindos parágrafos, para não dizer um final feliz.

Evelyn Sharenov é escritora e enfermeira psiquiátrica em Portland, Oregon.

© 2010 New York Times News Service Tradução: Gabriela d'Avila

Quem tem medo da bipolaridade?

Quanta capacidade tem uma pessoa de suportar o próprio sofrimento?
Não sendo louco percebe todas as mudanças.
Tem a força do tempo.

O mundo parece um enorme sol, que não maltrata, mas aquece, ilumina;em outro momento a poeira varre todos os sonhos e a pessoa é jogada para longe de si mesma, e não sente necessidade de resgate.

Um pêndulo,uma incerteza, uma insatisfação, um desejo imediato de morte.
Ser tudo em um único momento. O caminho para o surto.

É o carro das emoções absolutamente desgovernadas.Sem freio de mão, sem possibilidade de amparo.

É o desejo de conter e ser contida. É o querer continuar e o querer desistir.

É não saber qual o tempo que estará vivendo, se sobreviverá a tempestade, se sobreviverá ao deserto.

Que dor enorme será esta de alguém não conseguir controlar as próprias emoções?

Que doença é esta que desafia médicos, que inferniza a vida das pessoas, que envolve tantas incompreensões e tantos equívocos?

Que doença é esta que não desperta piedade, que não desperta ternura, que não desperta compaixão?

Que doença é esta tão dificil de ser diagnosticada? E porque não há respeito aos portadores dela?

Porque todos falam em teatralização? Porque todos falam que a pessoa mente ?

Onde está o Deus que socorre?

Acolhe esta pessoa em teu coração com o sentimento maior:amor.

E que esta generosidade e este amor chegue a todos os bipolares.

E que neste exato momento haja paz.



Vera Mattos